Falar o prompt em vez de digitar: por que o VoiceNote começou como um script de terminal
Quem constrói com IA descobre cedo que o resultado depende do contexto que você dá — e que dar contexto é caro. Digitando, você resume. O resumo é onde o assistente perde justamente o que faria ele acertar: a restrição que você não achou que valia mencionar, a tentativa que já falhou, o motivo da escolha esquisita.
O VoiceNote começou por causa disso, e não como produto. Era um script de terminal: gravava a fala, mandava pra transcrição, devolvia o texto pontuado. Quinze minutos falando sozinho viravam duas páginas — que iam coladas direto na sessão como contexto, ou pro documento do projeto como rascunho.
O que mudou não foi a velocidade da digitação. Foi o custo de ser detalhista. A ideia nasce sem forma, o custo de estrutura que a escrita exige. Quando descrever a situação inteira sai quase de graça, você para de podar antes da hora. E o que chega no assistente deixa de ser o seu resumo do problema — passa a ser o problema.
Onde isso não funciona. O texto que volta é pensamento cru: tem repetição, tem "quer dizer", tem a frase abandonada no meio. Pra prompt isso não atrapalha, porque o modelo lida bem com redundância. Pra qualquer coisa que outra pessoa vá ler, ainda há trabalho depois. Resolver não perder não é o mesmo que arrumar — quem espera texto pronto se frustra, quem espera matéria-prima não.
E havia um limite que só apareceu depois: linha de comando só roda na frente do computador. A ideia que chega na rua continuava se perdendo. Isso virou a etapa seguinte, e é assunto de outro dia.
Você está aqui. O VoiceNote é um serviço de transcrição de voz: você fala, ele devolve o texto pontuado, pronto pra copiar. Roda no navegador, sem instalar nada, e tem uma versão de linha de comando aberta e gratuita. Este é o primeiro post de uma série sobre como ele foi construído, na ordem em que aconteceu. Setembro é a etapa 1: a linha de comando.